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terça-feira, 13 de setembro de 2011

poema-pétalas

(poema dançarino)



esta estrada
onde o horizonte
 parece perto
segue sem rumo
paro o carro
olho para leste
lá onde o sol nasce
sobre o oceano
e daqui
das montanhas
a cidade fica longe

o céu
azul profundo
me remete às lembranças
de quando era criança
os dias estão
mais frios do que nunca
logo será noite
e as estrelas
aparecerão
acho que aqui ficarei
para tê-las comigo

- sentado estou -

a estrada vazia
e o sol se (ex)pondo
sobre uma pedra
ao longe um gavião
vai olhando tudo
em círculo(s) e veloz(es)
pássaros vão
rompendo os céus
de um lado a outro

não sei se terei
o meu céu estrelado
lá longe
as nuvens negras
e a lua
não aparecerá
para mim ou para você
logo irá chover

o som das cascatas
vai refrescando
 meus ouvidos
na subida da serra
onde subo
e sem pressa
a névoa
vai tomando conta
dos muitos canyons
e esta chuva
que ronda minha vida
é a mesma
que te ronda

7 comentários:

  1. Devagar se vai ao longe, gostei. Um abraço, Yayá.

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  2. ...vou tecendo sol e quenturas, qualquer hora do dia chove, assim de supetão. muitas noites chove, esse céu me deixa o corpo pesado como nuvens pelnas d'água, mas olha! tem muitas flores no jardim por andamos, nesses caminhos de pedra onde brotam poemas-pétalas. no meio da grande avenida espirradeiras me explodem em branco e rosa, cheiram até não poder mais. sempre estou de partida.
    ando perambulando pela cidade. descubro casas abandonadas, casarões com todas as janelas de madeira abertas, vazias, parece a casa velha só que muito maior com suas paredes descascadas e musgos contornando as paredes. descubro galpões imensos. alguns desativados outros plenos de solidão das pessoas que por lá visitam ou procuram um telhado...ah, que tempo! percorro o galpão num domingo a tarde, o cheiro me faz espirrar, coisa antiga me deixa um pouco zonza com se fosse um giro rápido de ampulheta, a penumbra, o silêncio do vazio e das vozes, as paredes geladas como lápides de longos invernos, e sempre o verde que tanto vive. a escada girando, a parede de tábuas de madeira em divisórias, as tralhas e algum sinal de vida ainda entre os escombros, entre o cômodos... o grande portão de ferro, as aldravas, o pó, a noite do galpão, o labirinto. o fósforo! eu penso, o fósforo peço a mim mesma... tem ainda alguma luz da tardinha que se desmancha, percorro com as mãos o interior daquele galpão na rua da cidade antiga. alguma umidade ainda é preservada, talvez por causa das chuvas que não cessam. o vento traz um ar de alguma coisa nova, um frescor de primavera talvez... agora respiro um pouco melhor e de repente o corpo já não é tão maltratado pelo tempo craquelando a gente. longe um avião que pessa me desperta levemente e os pássaros entulhados alçam vôo assustados, desço as escadas como o cair da noite até o grande porão, atravesso a ausência do salão, saio do galpão, agradeço ao homem sentado na entrada, sento um pouco ao seu lado num banquinho de madeira e ficamos os dois em silêncio apenas um instante que era uma eternidade, levanto de mansinho e me despeço balançando a cabeça dizendo sim e sigo a rua de paralelepídos escurecidos pelos pés que passaram ali, parto e sigo na névoa escura...

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  3. Amei o título do teu post!!!!
    Fiquei a imaginar o poema que dança!!!
    Parabéns !!!
    Bjo!

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  4. ora , por deus que essa chuva não há de parar? as paredes escorrendo a gente por dentro, a umidade da noite, a neblina condensada em todos os gestos, o telhado é peixe no alto da árvore-casa... colho flores d absurdo!

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  5. Muito lindo.

    Dominas bem tambem nos poemas
    Umbom final de semana

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  6. Gostei de suas palavras, bem como da disposição delas.

    Um beijo.

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